Receber um indeferimento é uma das notícias que mais frustram quem investiu numa marca. Depois da expectativa do registro, vem a decisão de que o INPI negou o pedido. Mas o indeferimento não é necessariamente o fim — há um caminho para recorrer, e ele tem prazo. Saber o que fazer, e fazer rápido, pode reverter a decisão.
Este artigo explica o que significa o indeferimento, por que ele acontece, qual o prazo para reagir e como funciona o recurso.
O que é o indeferimento de marca
O indeferimento é a decisão do INPI de negar o registro da marca após a análise de mérito. Significa que, na avaliação do instituto, o pedido não atendeu a algum requisito para ser registrado. É uma decisão, mas não é definitiva: a lei prevê a possibilidade de recurso contra o indeferimento, dentro de um prazo determinado.
O ponto crítico é justamente esse prazo. Ele começa a correr a partir da publicação do indeferimento na Revista da Propriedade Industrial — não da data em que você ficou sabendo. Se o prazo de recurso passar sem manifestação, a decisão se consolida, e a chance de reverter pela via do recurso se perde. Por isso, detectar o indeferimento rapidamente é decisivo.
Por que uma marca é indeferida
Os motivos de indeferimento variam, mas alguns são mais comuns.
A colidência com marca anterior é uma das causas mais frequentes: o INPI entende que a marca pedida pode ser confundida com outra já registrada ou depositada, no mesmo ramo ou em ramo afim. Foi um conflito de anterioridade que barrou o pedido.
A falta de distintividade é outra: marcas compostas só por termos descritivos, genéricos ou de uso comum no ramo podem ser indeferidas por não cumprirem a função de distinguir o produto ou serviço.
E há os impedimentos legais: sinais que a lei proíbe registrar, por diversas razões previstas na legislação de propriedade industrial.
Entender o motivo do indeferimento é o primeiro passo para decidir o que fazer, porque a estratégia de recurso depende da razão da negativa.
O que fazer ao receber um indeferimento
A primeira coisa é não deixar o prazo passar. Como o prazo de recurso corre da publicação na RPI, a janela de reação é limitada, e cada dia conta. Antes de tudo, é preciso saber que o indeferimento foi publicado — o que reforça a importância de acompanhar a RPI de perto.
Com o indeferimento identificado, o passo seguinte é analisar o motivo e avaliar a viabilidade do recurso. Nem todo indeferimento vale a pena recorrer, e nem todo recurso tem a mesma chance — depende da razão da negativa e dos argumentos disponíveis. Essa avaliação é trabalho técnico, em que um profissional de propriedade industrial faz diferença, ponderando se o recurso tem fundamento e qual a melhor estratégia.
Decidido recorrer, apresenta-se o recurso dentro do prazo, com a fundamentação adequada para tentar reverter a decisão. O INPI então reanalisa o caso à luz dos argumentos apresentados.
Como o recurso funciona
O recurso é a manifestação formal contra o indeferimento, em que o requerente argumenta pela concessão do registro. Os argumentos dependem do motivo da negativa: contra um indeferimento por colidência, busca-se demonstrar que não há real possibilidade de confusão; contra um por falta de distintividade, argumenta-se pela capacidade distintiva da marca; e assim por diante.
A qualidade da fundamentação é o que sustenta o recurso. Um recurso bem construído, com argumentos sólidos e dentro do prazo, é a melhor chance de reverter um indeferimento. Por isso, agir rápido — para não perder o prazo — e agir bem — com fundamentação adequada — são as duas chaves.
A importância de detectar o indeferimento a tempo
Tudo começa em saber que o indeferimento aconteceu. Um indeferimento publicado e não percebido vira um prazo de recurso perdido, e com ele a chance de reverter. Para quem cuida de marcas, especialmente de várias ao mesmo tempo, acompanhar a RPI e ser avisado de cada indeferimento é o que garante a janela de reação.
O MyPI acompanha a RPI e avisa sobre os despachos dos processos monitorados, incluindo indeferimentos, para que a notícia chegue a tempo de avaliar e, se for o caso, recorrer. Detectar o indeferimento cedo é o que preserva a possibilidade de defesa — e é exatamente o que o monitoramento automático garante.
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