Toda semana, marcas novas são depositadas no INPI. Algumas delas se parecem — no nome, no som, no ramo — com marcas que você já acompanha. Esse é o terreno da colidência, e é um dos pontos onde o trabalho do procurador de marcas se torna ao mesmo tempo defesa e oportunidade.
Identificar uma colidência a tempo protege o cliente. E, para o escritório, cada colidência detectada pode se converter em um novo serviço — uma oposição, um pedido de caducidade, uma notificação. Este artigo explica o conceito e mostra como transformar o que muitos veem como tarefa de vigilância em uma fonte de receita.
O que é colidência de marcas
Há colidência quando uma marca pode ser confundida com outra, gerando associação indevida na mente do consumidor. A análise considera vários fatores: a semelhança entre os sinais — gráfica, fonética, ideológica —, a afinidade entre os produtos ou serviços que cada marca identifica, e a distintividade dos elementos em comum.
Nem toda semelhança é colidência. Duas marcas parecidas em ramos completamente distintos podem coexistir; o princípio da especialidade reconhece que o consumidor não confunde um banco com uma marca de roupas só porque os nomes se assemelham. Por outro lado, marcas próximas no mesmo segmento, ou em segmentos afins, acendem o alerta. O julgamento dessa linha é justamente onde entra a expertise do profissional.
Por que identificar colidências importa para o cliente
Para o titular de uma marca, uma colidência não detectada pode significar a entrada de um concorrente que se aproveita da reputação construída, ou o enfraquecimento da própria marca. Quando um terceiro deposita um sinal que colide com o do seu cliente, há uma janela para agir — apresentar oposição durante o período de publicação, por exemplo. Perder essa janela é perder a chance de defender a marca pela via mais eficiente.
É por isso que o monitoramento de colidências é um serviço de valor: ele transforma a vigilância passiva em capacidade de reação. O cliente que sabe que sua marca está sendo vigiada por colidências dorme mais tranquilo — e percebe o valor do escritório que oferece essa proteção.
Como a colidência vira oportunidade de honorário
Aqui está o ângulo que muitos escritórios subaproveitam. Cada colidência identificada não é só um risco a comunicar — é a porta para um serviço cobrável. Quando você detecta uma marca de terceiro que colide com a do seu cliente, abrem-se possibilidades concretas: apresentar uma oposição ao pedido conflitante, propor um pedido de caducidade contra uma marca anterior que não está sendo usada, enviar uma notificação extrajudicial, ou orientar uma estratégia de defesa.
Cada uma dessas ações é um serviço com honorário. Multiplicado pela carteira inteira e ao longo do ano, o monitoramento de colidências deixa de ser um custo operacional e passa a ser um gerador de receita recorrente. O escritório que estrutura esse processo transforma a vigilância em uma linha de faturamento.
O problema do volume e a importância da precisão
Há um porém que separa o monitoramento que funciona do que atrapalha. Uma carteira grande, cruzada com cada nova revista, pode gerar um número enorme de potenciais colidências — e a grande maioria é ruído: semelhanças irrelevantes, ramos sem afinidade, marcas extintas. Um sistema que despeja centenas de “colidências” indistintas não ajuda; ele soterra as poucas que importam no meio das muitas que não importam, e o profissional acaba ignorando todas por falta de tempo.
O que faz o monitoramento de colidências valer a pena é a precisão: mostrar as colidências realmente acionáveis, ordenadas por relevância, de forma que cada uma que aparece mereça atenção. É a diferença entre uma ferramenta que gera trabalho e uma que gera oportunidade.
Como o MyPI trata colidências
O MyPI processa cada Revista da Propriedade Industrial e identifica marcas que podem colidir com as dos seus clientes, com base nos dados oficiais do INPI. O objetivo não é gerar volume, e sim precisão — destacar as colidências que valem a sua análise e a sua ação, para que cada uma possa virar uma defesa da marca do cliente e, quando cabível, um novo serviço do escritório.
Transformar colidência em oportunidade depende de duas coisas: detectar bem e julgar bem. O sistema cuida da detecção; o seu conhecimento profissional decide o que fazer com cada caso. Juntos, eles transformam uma tarefa de vigilância em uma vantagem competitiva.
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